A revista its produziu um caderno especial da Assembleia Legislativa de Santa Catarina - ALESC com entrevistas bacanas de deputados estaduais para tentar entender um pouquinho sobre o mundo da política.
Vamos conferir?

"Não existem políticas públicas para a juventude em SC, ou seja, não existe nenhum orçamento que pense ações específicas para os jovens em nosso estado."
Por que você escolheu exercer a profissão de político e o que você acredita que pode fazer pelo povo como deputada estadual?
Minha opção pela política é o resultado do trabalho que exerci quando assumi a direção de um departamento de ensino (o fundamental), na Prefeitura Municipal de Chapecó, em 1998. Também é o resultado de uma decisão coletiva dos educadores com os quais trabalhamos. Eu acredito que minha contribuição para o povo como deputada estadual é propor leis que melhoram a vida das pessoas, seja na educação, saúde, moradia, segurança pública e lazer. Além disso, é fazer o debate de questões importantes para que as pessoas percebam e participem das decisões que permeiam a sociedade. Por exemplo, neste ano debatemos a situação da educação catarinense, principalmente, sobre o repasse de recursos para esta área e também a proposta de municipalização do ensino fundamental. Um tema que envolve toda a comunidade, mas que o governo do estado está tratando com prefeitos, sem levar em consideração a posição da comunidade. Este debate precisa ser democrático.
O que você acha que ainda pode ser feito pelos jovens de Santa Catarina em termos de educação, direitos e projetos de inclusão nas escolas?
Não existem políticas públicas para a juventude em SC, ou seja, não existe nenhum orçamento que pense ações específicas para os jovens em nosso estado. Isso reflete na falta de iniciativas que valorizam os jovens. De acordo com estatísticas, todos os anos, mais de 1,2 mil jovens são mortos em Santa Catarina, vítimas de causas violentas, como homicídios, suicídios e acidentes de trânsito. A mudança dessa realidade exige políticas públicas que gerem oportunidades e garantam os direitos da juventude, construindo caminhos de vida. A educação em nosso estado está enfrentando uma crise, ela não é valorizada como deveria, as escolas da rede estadual estão em péssimas condições, não existe plano de carreira para o professor, fatores que contribuem para a desvalorização da educação. A educação precisa ter um projeto pedagógico que desenvolva atividades em diferentes frentes o que dará subsídios para os jovens se qualificarem para o mercado de trabalho e para a faculdade.
Como você acha que os jovens poderiam se envolver mais em política, participar de projetos que os beneficiem ou mesmo propor ideias de leis e projetos?
Eu penso que é preciso envolver o jovem, despertar nele o desejo de ser participativo/atuante perante a sociedade. Não necessariamente se envolver na política, mas ao se envolver no debate que permeia a sociedade fará com que ele se sinta parte do processo e do debate e isso é fundamental para sua compreensão de mundo, de sociedade e ideológica.
Projetos, como o Parlamento Jovem, na minha opinião tem grande valia, porque aproxima o jovem do meio político, permite que ele entenda o real papel de um parlamentar, o dia a dia de um deputado e de como funciona a Casa das Leis. A questão dos jovens propor ideias de leis é interessante, porque esse tipo de iniciativa faz o jovem perceber suas necessidades, no sentido de buscar melhor qualidade de vida para si e para a comunidade onde vive.
O que você acha que pode ser feito para limpar a imagem negativa que os políticos têm na mídia? Escuta-se muito sobre o que não dá certo e sobre corrupção, mas pouco se fala sobre o que tem, de fato, dado certo. Quais projetos e leis você acredita que deveriam receber mais destaque da mídia?
Temos muitos políticos comprometidos com as causas sociais, que realmente pensam em melhorar a vida das pessoas. Penso que para melhorar a imagem do político é preciso mostrar as ações positivas que são feitas no parlamento e no executivo, além disso, mostrar que não é só político que é corrupto, atrás de um político corrupto tem o empresário corrupto, o eleitor que vende seu voto. Em relação aos projetos de leis penso que os relacionados à educação, à saúde, segurança pública, enfim, temos várias áreas que precisam avançar para realmente apresentar melhorias às pessoas que dependem das políticas públicas. As pessoas querem ver resultados, que o posto de saúde do seu bairro oferece serviços, que a rua que transita está em boas condições, que tenha policiais na rua, que seu filho tenha uma educação de qualidade e possa freqüentar uma escola com professores motivados, salas de aula equipadas, com bibliotecas e área para lazer.
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